• Luana Soares

Auschwitz - o lugar que sempre sonhei visitar mas esperava nunca ter ido


Exatamente um mês atrás eu embarcava na minha viagem de aniversário para a Polônia. Como disse no post anterior, sempre quis ir para a Polônia mas nunca tinha tido a oportunidade (e tempo) de dedicar uma viagem só para lá.

Acontece que as pessoas desprezam a Polônia porque (assim como eu) não imaginava que lá era um país tão legal quanto realmente é. Digo, e repito. A Polônia virou um dos meus países preferidos e olha que eu já visitei 29 países no total até agora.

Mas vamos ao que interessa, o motivo principal da minha vida foi realizar um sonho que tive desde pequena que era conhecer Auschwitz. E se você estiver se perguntando porque uma criança de 6 anos sonhou em conhecer um Campo de Concentração aqui vai a resposta com o post que escrevi no meu Facebook: 


"Quando eu tinha seis anos e estava aprendendo a ler, meu pai me deu um livro que chamava a Mala de Hana. É um livro infanto-juvenil sobre o holocausto. Meu pai (a pessoa mais inteligente que conheci em toda a minha vida) nem sabia que aquele livro mudaria minha vida inteira. Ou talvez ele soubesse sim. Ele sempre me dizia que aquele livro o fazia chorar todas as vezes que ele lia. E eu chorei. Chorei muito. Eu só tinha seis anos e pensava que a literatura fazia a gente chorar. Eu cresci e nunca mais parei de ler livros sobre o Holocausto. Eu li o Menino do Pijama Listrado, Anne Frank e muitos outros sobre Hitler e Nazismo. Quando cheguei na Europa entrevistei sobreviventes do Holocausto e pessoas que tiveram familiares nos campos de concentração. Ano passado visitei a casa da Anne Frank em Amsterdam. Essa semana fui até Auschwitz e quando eu vi a mala da Hana ali na minha frente, eu chorei. E senti alguma coisa dentro de mim desmoronando. Eu, a Luana agora com 22 anos estava diante da mala daquele meu primeiro livro. Aquela guriazinha de 6 anos que tinha acabado de aprender a ler e escrever, agora está aqui. Eu nunca imaginei que chegaria tão longe. Estar em Auschwitz mudou minha vida pra sempre."


Desde que publiquei esta mensagem recebi diversas respostas sobre o tema, inclusive, muita gente respondeu que não gostaria de ir ou que o lugar em si deveria ter sido "esquecido", mas gente PERAI, a ideia toda de continuar a preservar o Campo é de em primeiro lugar preservar a memória de todos que passaram por ali, preservar a história e ensinar para as pessoas que um holocausto pode acontecer a qualquer momento outra vez. E quando respondi, muitos acharam absurdo.


Durante o tour um cara qualquer perguntou: "ué, mas os poloneses não se davam conta de que estão morrendo várias pessoas perto deles?" 

E eu quase respondi: "Será que as pessoas não estão vendo o que está acontecendo na Síria?"

Então é muito mais fácil de acontecer outra vez do que a gente imagina. 

Porém ao invés de dar a minha opinião eu gostaria de compartilhar todas as fotos que tirei e algumas coisas novas que aprendi sobre o lugar.


Auschwitz foi o campo em que os judeus chegavam para "trabalhar" ou "temporariamente" enquanto não eram enviados para a Câmera de Gás. O lugar em si não é tão grande comparado com o tamanho de Birkenau (o campo de concentração próximo a Aushwitz que também é chamado de Aushwitz II). Dentro do complexo, havia o "restaurante", hospital, entre diversos outros "prédios" designados para funções e pessoas diferentes.  

Fiz um tour guiado porque queria entender cada pedaço daquele complexo inteiro. E eu acho que sem um guia, eu não conseguiria me localizar ali dentro para saber qual lugar é qual.


Em um dos prédios eles conservaram os itens encontrados e deixados para trás. Em uma das salas possuía mais de 2 mil kilos de cabelos humanos de mulheres. Eles vendiam os cabelos e enviam para a Alemanha para diferentes fins como produção de roupas, tecidos, etc. Aquilo foi um golpe no estômago. Eu, como mulher - e toda mulher sabe a importância do seu cabelo - ver aquele monte de cabelo ali, ainda intacto. É como se tudo tivesse acontecido ainda ontem.

Também tinha muitos sapatos e objetos de cozinha, pois na época, muitos acreditavam que estavam sendo levados para "uma vida melhor" então as mulheres levavam suas xícaras, talheres, entre outras peças que possuíam de valor.



Deficientes eram os primeiros a serem enviados para a câmera de gás por serem inválidos e sem serventia alguma.

Muitas pessoas, filhos e crianças do Holocausto, voltaram ao lugar depois de anos e se reconheceram em fotos. O lugar inteiro é cheio de fotos das pessoas que passaram por ali e alguns documentos que os nazistas não tiveram tempo de queimar antes de deixar o Campo.




Birkenau é a estação de trem onde chegavam os judeus de todas as partes da Europa e ali, assim que chegavam já eram divididos em homens, mulheres, crianças e iam para os seus respectivos lugares. Muitos nem chegavam a ser realocados e iam direto para a Câmera de Gás.


Eu ainda me sinto muito triste de escrever sobre isso tudo, porque cada vez que me lembro sinto vontade de chorar. Eu, que moro fora a dois anos e que não vejo os meus pais a dois anos (porque escolhi ser assim) e sinto muita saudade, me coloco no lugar das pessoas que foram arrastadas para longe de seus familiares e nunca os encontraram outra vez.



A lição que tirei da visita foi justamente essa, a dar valor para a minha família e as pessoas que eu amo. Que eu tenho direito e poder de estar perto delas. As vezes a gente briga e se afasta das pessoas por coisas tão bobas. Dê valor a todo mundo que você ama. E as oportunidades de aprender e saber mais sobre coisas que embora pareçam tão distantes da gente, são parte da história da humanidade. Eu, brasileira, 23 anos e que morou quase a vida toda em São Paulo nunca jamais imaginei que chegaria tão longe. Eu jamais imaginei que algum dia iria pra Polônia por exemplo. Mas aqui estou eu, sentada no meu apartamento em Stockholm contando sobre tudo que eu jamais sonhei. E sou grata por tudo isso.


Obrigada a todos que mandaram mensagens e pediram para que eu escrevesse mais sobre o Campo. Isso ainda não é tudo, mas eu volto com alguns vídeos em breve.

Paz

@diasdeluana.

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